sábado, 23 de novembro de 2013

A Janela

       
   Certo dia voltando para casa as 9:00 PM, logo apos um encontro com uma amiga que morava em uma cidade vizinha, comecei a analisar cada canto. Ja estava próximo da minha volta para o Brasil, deveria faltar apenas 3 dias, e quem já foi intercambista sabe como e a dorzinha dos últimos dias.
   Era uma noite chuvosa, fria. Ônibus vazio, na verdade havia apenas alguns adolescentes que subiram para a parte superior do ônibus, um casal sentado nos primeiros bancos, e eu no fundo. Fones ligados, olhar constante para a janela, as vezes subitamente uma leve olhada no movimento dos outros passageiros, e olhando meu reflexo pelo vidro.
  E ali eu, tentando entender, eu sabia que iria sentir falta. Comecei a lembrar de cada detalhe, cada risada. Daquelas risadas de faltar o folego, das pequenas discussões, da lagrima, das idas ao supermercado. Enquanto o ônibus fazia seu trajeto, eu fazia o trajeto em meio aos meus pensamentos.
   Me lembrei dos primeiros dias, quando quase fui atropelada por um ônibus, a busca pela casa definitiva, as vezes que me perdi por não conhecer a cidade, e achar as casas e ruas completamente parecidas. Dos dias entregando currículo, preocupada atras de um emprego para garantir mais tempo de estadia em Dublin.
As lagrimas já haviam começado a rolar, na verdade aquele ultimo mês, eu conseguiria formar um lago com elas #momento exagero#. As ruas se tornaram novidades para mim, cada perfume, clima, pessoas, tudo.
   Aqueles dias em que eu não estava com pique para balada e apenas me enfiava debaixo de uma coberta o dia todo, ou, aqueles dias que eu resolvia ir para um pub assistir um show ao vivo. Fiquei vários minutos com os  olhos estatelados para as ruas, olhando a O"connell, Dorset, Parnell, Grafton Street, e tantas elas, ruas que andei durante 11 meses. Ah que saudade. Uma saudade imensa.
  Resolvi descer 3 quarteirões antes do meu, queria sentir aquela cidade, queria sentir meus últimos dias, esses 11 meses se reuniram em tantos acontecimentos. Foram 11 meses que se tornaram inesquecíveis.
 Mas um dia. Ainda tenho toda esperança que irei voltar, por menos dias, mas já serão suficientes para matar a saudade.
 Naquele dia me deitei. Coração na mão. Pensamentos fazendo replay em cada acontecimento nesses 11 meses, e a decisão feita. Era a hora de ver Dublin apenas por uma janela.
 

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